Cultura Viva

de e sobre Pontos, pontinhos e pontões de cultura

Nos Fluxos da Rota Brasil

Conheça uma rota de pontos de cultura que fazem a diferença na cidade do Rio de Janeiro
por Claudio Barria

Da edição 06 - Rememorar

_MG_9804

Artérias e seus Fluxos

O Rio de Janeiro é uma ci­da­de com mui­tos aflu­en­tes, são con­fi­gu­ra­ções cul­tu­rais que tor­nam den­sa e com­ple­xa es­sa ci­da­de ma­ra­vi­lho­sa. No gran­de cen­tro pul­sam in­con­tá­veis ma­ni­fes­ta­ções cul­tu­rais. O tu­ris­mo tor­na vi­sí­veis al­gu­mas de­las, mas nes­sa ci­da­de de lon­gas vi­as de flu­xo e trân­si­to in­ten­so de pes­so­as, a cul­tu­ra é cor­ren­te­za. E por mais de­vas­ta­dor e agres­si­vo que te­nha si­do o pro­ces­so de ur­ba­ni­za­ção da ci­da­de é bem pos­sí­vel en­con­trar nas nes­sas vei­as ur­ba­nas, um in­ter­câm­bio riquís­si­mo de idei­as e ações.

Fala­mos aqui de uma ci­da­de pen­sa­da pa­ra fa­vo­re­cer os flu­xos, e por mais que o cur­so dos acon­te­ci­men­tos te­nha se­gre­ga­do boa par­te de­la pe­la vi­o­lên­cia ou pe­lo pre­con­cei­to, su­as ar­té­ri­as são es­pa­ço aber­to pa­ra a re­no­va­ção, lu­gar de tro­ca de ri­que­zas cul­tu­rais e po­lí­ti­cas que se tor­nam pos­sí­veis quan­do o Rio de Janeiro se des­co­bre em flu­xos.

Quan­do olha­mos pa­ra as ro­tas que par­tem da Central do Brasil, é im­pos­sí­vel não pen­sar na in­ten­si­da­de dos trân­si­tos que con­cen­tram es­ses tri­lhos. A via fér­rea, des­de a Central do Brasil, aju­dou a des­bra­var e ur­ba­ni­zar os ser­tões ca­ri­o­cas e con­tri­buiu de­ci­si­va­men­te pa­ra a ex­pan­são da ci­da­de em di­re­ção aos su­búr­bi­os. Ao lon­go des­se tre­cho ele­men­tos tra­di­ci­o­nais e con­tem­po­râ­ne­os são le­va­dos por seus ha­bi­tan­tes nos di­ver­sos ter­ri­tó­ri­os por on­de tran­si­tam.

Outra via de tra­fe­go in­te­res­san­te nes­sa ci­da­de de aca­rís é a Avenida Brasil. Ela tem sua his­tó­ria ini­ci­a­da du­ran­te a pre­si­dên­cia de Rodrigues Alves (1903-1906), quan­do Pereira Passos as­su­me a pre­fei­tu­ra do Rio, dan­do iní­cio a um pro­ces­so de trans­for­ma­ção ur­ba­na na ci­da­de, pro­je­to de gran­de im­pac­to re­a­li­za­do no pe­río­do que fi­cou co­nhe­ci­do co­mo “bota-abaixo”. Tal fa­to deu iní­cio a um cres­ci­men­to de­sor­de­na­do em nú­cle­os da re­gião Leopoldina, as­sim co­mo em ou­tros bair­ros nos su­búr­bi­os ca­ri­o­cas. A Avenida Brasil é for­te­men­te uti­li­za­da co­mo aces­so à ci­da­de do Rio de Janeiro, e lo­go que saiu do pa­pel, ga­nhou or­ga­ni­ci­da­de ine­vi­tá­vel de­vi­do à ne­ces­si­da­de de so­bre­vi­vên­cia da po­pu­la­ção es­co­a­da dos gran­des cen­tros pa­ra os man­gue­zais.

Mas não são só elas que de­fi­nem com seus flu­xos a mo­bi­li­da­de ur­ba­na ca­ri­o­ca, com­pon­do seu tra­ça­do com­ple­xo, as ar­té­ri­as pe­las quais tran­si­ta a vi­da da ur­be. Estas “ro­tas” são tam­bém de­fi­ni­do­ras de iden­ti­da­des e es­té­ti­cas ur­ba­nas tam­bém flui­das, que a con­cep­ção – ge­o­po­lí­ti­ca e mi­li­tar – dos ter­ri­tó­ri­os, com su­as fron­tei­ras es­tan­ques e cla­ra­men­te de­li­mi­ta­das, não é ca­paz de com­por­tar. Trata-se de iden­ti­da­des e es­té­ti­cas ur­ba­nas em tran­si­to, de uma cul­tu­ra vi­va, in­vi­sí­veis aos olhos do que não flui.

Ao lon­go des­sas vi­as, inú­me­ras ini­ci­a­ti­vas cul­tu­rais se pro­li­fe­ra­ram e fru­ti­fi­ca­ram, ten­do, muitas de­las, si­do re­co­nhe­ci­das re­cen­te­men­te co­mo Pontos de Cultura. Imersos nu­ma re­a­li­da­de com­ple­xa e ri­ca, po­rém mui­tas ve­zes não isen­ta de vi­o­lên­cia – ma­te­ri­al e sim­bó­li­ca – e fal­ta de es­tru­tu­ra, o tra­ba­lho de re­sis­tên­cia dos Pontos ho­je en­fren­ta di­fi­cul­da­des, mas se er­gue co­mo pro­va ir­re­fu­tá­vel da po­tên­cia cul­tu­ral não só dos que ali mo­ram, co­mo da­que­les que por ali cir­cu­lam, rein­ven­tan­do a ci­da­de.

2023a6a34306752cb8249d6d1d20192d

Rotas e seus sa­be­res e fa­ze­res

Lan­çan­do um pri­mei­ro olhar so­bre a ci­da­de per­ce­be­mos que es­sa com­ple­xa ma­lha de flu­xos (de ocu­pa­ção, mo­bi­li­da­de e iden­ti­da­des ur­ba­nas) é com­pos­ta por, pe­lo me­nos, três gran­des ro­tas: a Rota Brasil, a Rota Valongo e a Rota Rebouças.

As du­as úl­ti­mas tra­çam tra­je­tó­ri­as li­ga­das ao Centro da Cidade e às ro­tas de cir­cu­la­ção en­tre as zo­nas Sul e Norte. Já a pri­mei­ra, na qual nos de­te­mos mais nes­te tex­to, se­gue as ar­té­ri­as da Av. Brasil e dos ra­mais da es­tra­da de fer­ro, pas­san­do por mui­tos do mais im­por­tan­tes bair­ros do su­búr­bio ca­ri­o­ca, co­mo Sepetiba, Santa Cruz, Bangu, Realengo, os bair­ros da cha­ma­da re­gião da Leopoldina, até os gran­des com­ple­xos de fa­ve­las do Alemão e da Maré. Todos es­pa­ços lo­cais car­re­ga­dos de história(s) e fer­vi­lhan­tes de pro­du­ção sim­bó­li­ca.

O Pontão de Cultura e Educação Tear abriu es­te ano es­pa­ço pa­ra uma re­fle­xão co­le­ti­va en­tre Pontos de Cultura que de­sen­vol­vem seus tra­ba­lhos ao lon­go da Rota Brasil. A tro­ca vem acon­te­cen­do du­ran­te os en­con­tros do cha­ma­do Percurso Formativo Vivencial (par­te do pla­no de ação do Pontão de Cultura), cu­jo fo­co es­tá nas prá­ti­cas arte/educativas co­mo me­di­a­ção cul­tu­ral e so­ci­al. O diá­lo­go es­ta­be­le­ci­do a par­tir do sa­ber e do fa­zer de ca­da Ponto de Cultura, pro­mo­ve pos­si­bi­li­da­des de des­lo­ca­men­tos de com­pre­en­sões e per­cep­ções so­bre a ci­da­de.

O Percurso e su­as Estações

Nes­se in­ter­câm­bio de ex­pe­ri­ên­ci­as e me­to­do­lo­gi­as, re­fle­xões so­bre os fa­ze­res e sa­be­res de ca­da co­le­ti­vo, des­co­bri­mos ve­re­das ca­ri­o­cas que de­sa­guam em tra­ba­lhos riquís­si­mos de­sen­vol­vi­dos por Pontos de Cultura co­mo  a Escola Latinoamericana da Comunicação Popular – a Escola Popde­sen­vol­ve ações jun­to ao Observatório de Favelas ; Trilhos da Melhor Idade , Lata Doida, Verdejar, Caixa de Surpresa, A Era do Rádio, Centro de Teatro do Oprimido, Bela Maré, Som na Praça e Olha nós Aí. Trata-se de ini­ci­a­ti­vas que ha­bi­tam trân­si­tos e tra­di­ções, va­lo­res e for­mas de fa­zer po­lí­ti­ca.  Ao lon­go des­se pe­río­do cons­ti­tuí­mos uma fa­mí­lia, tro­ca­mos ex­pe­ri­ên­ci­as en­tre os pon­tos e des­co­bri­mos ro­tas de ação por par­te dos pon­tos de cul­tu­ra ca­pa­zes de are­jar o en­ten­di­men­to so­bre a ci­da­de e so­bre a eco­lo­gia des­se ter­ri­tó­rio tão pa­ra­do­xal que é a ci­da­de do Rio de Janeiro.

Para quem acom­pa­nha o Astrolábio é pos­sí­vel re­me­mo­rar a ma­té­ria que fi­ze­mos so­bre a Serra da Misericórdia, área que abri­ga uma dis­cus­são ur­gen­te so­bre as en­cos­tas e mor­ros ca­ri­o­cas, cu­ja com­ple­xa re­la­ção po­lí­ti­ca e eco­ló­gi­ca é pau­ta da ONG Verdejar.  Atualmente es­ses nos­sos par­cei­ros e ou­tras or­ga­ni­za­ções mo­bi­li­zam 32 bair­ros que cir­cun­dam a Serra da Misericórdia e ar­ti­cu­lam ações em de­fe­sa e pre­ser­va­ção des­ta úl­ti­ma área de Mata Atlântica da Região Norte do Rio.  O Ponto for­ta­le­ce re­la­ções afe­ti­vas com a co­mu­ni­da­de e re­tra­ta a im­por­tân­cia do am­bi­en­te agro-biodiverso e de múl­ti­plas ri­que­zas so­ci­o­cul­tu­rais do pa­trimô­nio so­ci­o­am­bi­en­tal .

Ain­da no Astrolábio le­van­ta­mos uma dis­cus­são so­bre mú­si­ca, li­xo e re­ci­cla­gem, mo­bi­li­za­dos pe­las ações do Ponto de Cultura Lata Doida. O pro­je­to é mo­vi­dos pe­lo incô­mo­do com as ques­tões da ci­da­de, nu­ma atu­a­ção pau­ta­da em um olhar crí­ti­co des­sa “en­gre­na­gem” que ge­ra a ex­clu­são so­ci­al, a po­lui­ção etc.

O co­nhe­ci­men­to que emer­giu du­ran­te a vi­vên­cia des­se Percurso Formativo, tro­ca en­tre Pontos de Cultura em di­ver­sos lo­cais da Rota, trou­xe pa­ra o Tear uma ri­ca re­fle­xão so­bre es­se vas­to ter­ri­tó­rio cul­tu­ral e po­lí­ti­co que é a ci­da­de do Rio de Janeiro, lu­gar que guar­da uma va­ri­e­da­de imen­sa de ações e diá­lo­gos que fa­zem a cul­tu­ra vi­va da ci­da­de.  

Os pre­gões no trem nos fa­la­ram, em al­to e bom som, das ter­ri­to­ri­a­li­da­des e seus sons, to­na­li­da­des de um co­ti­di­a­no ou­tro, que ma­ti­zam a cir­cu­la­ção e des­lo­ca­men­to pe­la Rota.

No in­ter­câm­bio, tro­ca­mos ex­pe­ri­ên­ci­as e idei­as com o Caixa de Surpresa. Ponto que  nas­ce em 1982, mas vem atu­an­do des­de 1999 nas co­mu­ni­da­des de Vila Aliança, Minha Deusa e Nova Aliança, que fa­zem par­te do bair­ro de Bangu, zo­na Oeste da ci­da­de do Rio de Janeiro. Ele é fru­to da ar­ti­cu­la­ção de um gru­po de jo­vens da dé­ca­da de 80 cha­ma­do Caverna, que reuniam-se pa­ra can­tar os sen­ti­men­tos de uma ge­ra­ção que se re­be­la­va con­tra a si­tu­a­ção so­ci­al da épo­ca. Estes jo­vens co­me­ça­ram a per­ce­ber que mui­tas cri­an­ças se en­con­tra­vam no lo­cal pa­ra acompanhá-los. Preocupados com a inter-relação en­tre o mun­do adul­to e in­fan­til, o  gru­po co­me­çou a re­a­li­zar ações tam­bém pa­ra os pe­que­nos. Tendo em vis­ta os va­lo­res cul­tu­rais des­se ter­ri­tó­rio, fir­ma­ram o com­pro­mis­so so­ci­al de se va­ler da cul­tu­ra co­mo po­tên­cia pre­ven­ti­va e edu­ca­ti­va. Ernesto nos­so in­ter­lo­cu­tor ho­je atua co­mo mes­tre de ce­rimô­ni­as das ba­ta­lhas de Mc, que acon­te­cem no lu­gar e mo­bi­li­zam a ju­ven­tu­de da re­fi­lão. Você po­de acom­pa­nhar os pro­je­tos e ações do Caixa de Surpresas pe­la pá­gi­na de­les.

roda cultural 2Roda Cultural- Ernesto em ação

10548294_869671036429242_3959226987030250060_o

O Centro de Teatro do Oprimido, CTO, tam­bém faz par­te des­sa ro­ta. Com sua se­de no cen­tro da ci­da­de e uma uni­da­de na Maré, es­se es­pa­ço por sí já pro­mo­ve o flu­xo de pes­so­as e in­for­ma­ções en­tre re­giões da ci­da­de. O es­pa­ço é  um cen­tro de pes­qui­sa e di­fu­são, que de­sen­vol­ve me­to­do­lo­gia es­pe­cí­fi­ca do Teatro do Oprimido em la­bo­ra­tó­ri­os e se­mi­ná­ri­os, am­bos de ca­rá­ter per­ma­nen­te, pa­ra re­vi­são, ex­pe­ri­men­ta­ção, aná­li­se e sis­te­ma­ti­za­ção de exer­cí­ci­os, jo­gos e téc­ni­cas te­a­trais. Nos la­bo­ra­tó­ri­os e se­mi­ná­ri­os são ela­bo­ra­dos e pro­du­zi­dos pro­je­tos sócio-culturais, es­pe­tá­cu­los te­a­trais e pro­du­tos ar­tís­ti­cos, ten­do co­mo ali­cer­ce a Estética do Oprimido. A fi­lo­so­fia e as ações des­ta ins­ti­tui­ção vi­sam à de­mo­cra­ti­za­ção dos mei­os de pro­du­ção cul­tu­ral, co­mo for­ma de ex­pan­são in­te­lec­tu­al de seus par­ti­ci­pan­tes, além da pro­pa­ga­ção do Teatro do Oprimido co­mo meio, da ati­va­ção e do de­mo­crá­ti­co for­ta­le­ci­men­to da ci­da­da­nia. O CTO im­ple­men­ta pro­je­tos que es­ti­mu­lam a par­ti­ci­pa­ção ati­va e pro­tagô­ni­ca das ca­ma­das opri­mi­das da so­ci­e­da­de, e vi­sam à trans­for­ma­ção da re­a­li­da­de a par­tir do diá­lo­go e atra­vés de mei­os es­té­ti­cos. Dessa for­ma o Centro de Teatro do Oprimido de­sen­vol­ve pro­je­tos na área da edu­ca­ção, saú­de men­tal, sis­te­ma pri­si­o­nal, pon­tos de cul­tu­ra, mo­vi­men­tos so­ci­ais, co­mu­ni­da­des, en­tre ou­tros. Por con­ta de sua na­tu­re­za hu­ma­nís­ti­ca e do po­ten­ci­al do Teatro do Oprimido, es­tá atu­an­te em to­do o Brasil e em paí­ses co­mo Moçambique, Guiné Bissau, Angola e Senegal.

Roda de conversa no Cto maré

Nes­ses tra­je­tos, re­ce­be­mos tam­bém vi­a­jan­tes de ou­tras es­tra­das ca­ri­o­cas. O Ponto de Cultura A Era do Rádio que sur­ge pe­la ini­ci­a­ti­va da Emanuelle, so­bri­nha da can­to­ra do rá­dio Emilinha Borba, tam­bém par­ti­ci­pa do Rota e abre abre es­pa­ço de in­ter­câm­bio com uma lo­ca­li­da­de do Rio de Janeiro po­ten­te cul­tu­ral­men­te e bo­ni­ta por na­tu­re­za. Além de ho­me­na­ge­ar a tia, pro­pri­e­tá­ria de uma ca­sa de ve­ra­neio em Sepetiba e pro­mo­ver ati­vi­da­des ar­tís­ti­cas e cul­tu­rais no clu­be na­val da re­gião, o pon­to de cul­tu­ra tem co­mo ob­je­ti­vo prin­ci­pal pre­ser­var a me­mó­ria lo­cal em es­pe­ci­al a da pes­ca da re­gião. A Era do Rádio pro­mo­ve um pro­gra­ma de in­te­gra­ção en­tre pes­so­as da co­mu­ni­da­de lo­cal. Um dos pro­je­tos bem le­gais que fa­zem nes­se es­pa­ço é o “Mariscarte”, um gru­po que por meio do gra­fit­ti busca-se re­cu­pe­rar a me­mó­ria dos pes­ca­do­res e das ma­ris­quei­ras do bair­ro, co­mo for­ma de re-existência e cons­ci­en­ti­za­ção so­bre o pro­ces­so de  de­gra­da­ção da praia e a im­por­tân­cia da pes­ca co­mo a prin­ci­pal fon­te econô­mi­ca da re­gião. O Projeto  ofe­re­ce ain­da ofi­ci­nas de te­a­tro co­mu­ni­tá­rio e de no­vas mí­di­as pa­ra jo­vens a par­tir de 17 anos e pa­ra a ter­cei­ra ida­de, ati­vi­da­des em três es­co­las pú­bli­cas de Sepetiba, e abri­ga  uma com­pa­nhia de te­a­tro que ho­je con­ta com 15 ato­res.

ação no Ciep Ulisses Guimarães - Sepetiba.Apresentação do Telejornal criado pelos jovens da turma da tarde da oficina de mídias no ECER.

oficina de Mídias Visuais

No per­cur­so das ar­tes e ter­ri­tó­ri­os vi­si­ta­mos o Galpão Bela Maré que fi­ca lo­ca­li­za­do na fa­ve­la da Nova Holanda e tem su­as ati­vi­da­des vol­ta­das pa­ra as ar­tes vi­su­ais con­tem­po­râ­ne­as e atua jun­to com o Observatório de Favelas. O pon­to es­tá, por­tan­to, vol­ta­do pa­ra a res­sig­ni­fi­ca­ção e rein­ven­ção das prá­ti­cas so­ci­ais e das for­mas co­mo as fa­ve­las são re­pre­sen­ta­das e re­co­nhe­ci­das.

Ain­da na Zona Oeste, sem per­der o tom, uma vez por mês o Ponto de Cultura Som na Praça  re­a­li­za ati­vi­da­des de cho­ro e sam­ba, fei­ra de ar­te­sa­na­to, li­vros, qua­dros e pin­tu­ras pa­ra as cri­an­ças, um do­min­go por mês na Praça  do Jabour no Largo do Ludgero em Senador Camará. O even­to é ide­a­li­za­do por Fábio Paschoal, fi­lho de Hermeto Paschoal. O pon­to tam­bém re­a­li­za ofi­ci­nas de música/percussão e te­a­tro na Escola Municipal Rainha Fabíola aber­tas a cri­an­ças e ado­les­cen­tes das es­co­las pú­bli­cas da re­gião.

A  Escola Latinoamericana da Comunicação Popular – Escola Pop tra­ba­lha a for­ma­ção em co­mu­ni­ca­ção po­pu­lar e tam­bém cons­trói di­fe­ren­tes ca­nais de co­mu­ni­ca­ção do Território.

O “Olha nós aí” é uma das tan­tas ações do Museu da Vida, trata-se de um pro­gra­ma que en­vol­ve ado­les­cen­tes e jo­vens da co­mu­ni­da­de de Manguinhos em ati­vi­da­des de for­ma­ção e es­tá­gio em um ei­xo li­ga­do à me­mó­ria e a Cultura lo­cal.

Escola POP

Nes­sa in­te­ra­ção en­tre pon­tos de cul­tu­ra emer­gem mui­tas ci­da­des, mui­tas ur­gên­ci­as e mui­ta for­ça de von­ta­de. A ação dos pon­tos ins­pi­ram re-existência e en­ga­ja­men­to e evi­den­ci­am uma com­ple­xa ma­lha so­ci­o­cul­tu­ral que pre­ci­sa ter voz, se­ja por seus fei­tos co­mo por su­as ur­gên­ci­as. É pre­ci­so apro­vei­tar os tri­lhos e ro­tas des­sa ci­da­de, e ter a cla­re­za  que elas não são vi­as de mão úni­ca.